Serviço de Estágios e Cooperação na ULSSA

Serviço de Estágios e Cooperação na ULSSA

Uma narrativa de intervenientes, fluxos e valor organizacional


Delfim Garrido
Gestor do Departamento de Ensino e Formação


O ano de 2025 ficará registado na memória institucional da ULSSA como um ano de elevada capacidade de resposta. A crescente procura por campos de estágio, mais vasta, diversificada e exigente pôs em evidência a importância da organização e do acolhimento do estagiário na instituição.  Para o estagiário, trata-se muitas vezes da concretização de um objetivo académico ou de um marco pessoal; para a ULSSA, Trata-se de acolher de forma segura, devidamente enquadrada, exequível para os serviços e, acima de tudo, pedagogicamente consistente. O sucesso dos estágios resulta de uma arquitetura de decisão partilhada por vários intervenientes e de uma atenção contínua à melhoria dos fluxos de trabalho.

O Departamento de Ensino, Formação (DEFI), através do Serviço de Estágios e Cooperação (SEC), atua como eixo administrativo e operacional do sistema. Em 2025, o SEC consolidou-se como porta de entrada e ponto de coordenação de todo o circuito. Este trabalho é desenvolvido em estreita articulação com os responsáveis pela tutela e execução dos estágios nas diferentes áreas, nomeadamente com a validação das Direções de Departamento, Diretores de Serviço e chefias técnicas, responsáveis por avaliar as condições reais de acolhimento, capacidade formativa, segurança do doente e sustentabilidade das equipas.

A figura central de todo este percurso é, inevitavelmente, o orientador (ou tutor) de estágio. Num ano marcado por volume recorde de presenças, o seu papel tornou-se ainda mais determinante: é quem integra o estagiário na equipa, define limites de atuação, acompanha o progresso e garante que a aprendizagem ocorre sob supervisão qualificada. Sem esta orientação, um estágio em contexto de saúde deixaria de ser um ato formativo para se tornar um risco institucional. Em paralelo, a relação com as instituições de ensino evoluiu, em 2025, para uma lógica de parceria mais estratégica: o diálogo contínuo permitiu ajustar expectativas, alinhar objetivos curriculares e compatibilizar a necessidade formativa com a capacidade real dos serviços, salvaguardando sempre a missão assistencial da ULSSA.

Se uma ideia define a gestão de 2025, é a procura de rastreabilidade total e sustentabilidade. Num ambiente de grande complexidade, saber quem entrou, onde ficou colocado, sob que supervisão e com que avaliação final deixou de ser apenas “boa prática” para se tornar condição de excelência organizacional. A palavra-chave foi desmaterialização com a transição para registos digitais e a utilização de ferramentas como o QR Code na admissão e na avaliação de satisfação. Esta transformação tornou o processo mais transparente, mais rápido e seguro e mais sustentável.

Os números de 2025 mostram bem a dimensão do desafio: a ULSSA registou 1.938 campos de estágio, acolheu 1.529 estagiários e totalizou mais de 100 mil dias de estágio. Este desempenho representa um crescimento substancial face a 2023, ano em que se contabilizaram 1.252 campos. No triénio 2023–2025, a escala é igualmente expressiva: quase 5.000 campos de estágio. Mais do que um indicador de procura, este aumento traduz a capacidade da instituição para absorver a pressão organizativa e manter a qualidade, num equilíbrio exigente entre ensino, assistência e segurança. O ano ficou ainda marcado pela diversidade de formatos com colhimento de estágios curriculares, interinstitucionais e individuais e voluntários (de profissionais nacionais e estrangeiros), além de visitas de estudo, que exigem modelos de receção e segurança diferenciados.

A dimensão internacional ganhou, em 2025, um relevo particular, através de iniciativas como o Programa Atlantis e a cooperação com os PALOP. A parceria com o St. Mary’s Institute for Educational Excellence permite que estudantes de medicina norte-americanos realizem programas de observação hospitalar num ambiente estruturado, profissional e cientificamente exigente. Em paralelo, a relação histórica com os países de língua oficial portuguesa mantém-se como um pilar de cooperação, orientado para o aperfeiçoamento de médicos e enfermeiros e para o registo sistemático das missões realizadas por profissionais da ULSSA nesses países. Neste contexto, o Serviço de Estágios e Cooperação assume um papel de coordenação e de normalização de procedimentos, assegurando previsibilidade, boa articulação com os serviços e continuidade da cooperação.

No que toca ao futuro imediato, o plano de atividades para 2026 já desenha os próximos passos desta evolução. A meta é clara: reforçar a internacionalização, com canais de comunicação também em língua inglesa, e consolidar a desmaterialização total dos processos financeiros e administrativos. A ULSSA pretende que cada ano letivo seja encerrado economicamente no ano civil correspondente, otimizando faturação, controlo e gestão de recursos. Em paralelo, a introdução de um Manual de Acolhimento Digital e a realização de sessões de integração híbridas permitirão tornar a receção institucional mais eficiente, consistente e abrangente.

Ao garantir que o estágio é, simultaneamente, um momento de aprendizagem e um ato institucional responsável, a ULSSA protege doentes, equipas e estagiários e investe no futuro dos profissionais que ajuda a formar. O compromisso com a qualidade pedagógica, aliado ao rigor administrativo e à inovação digital, reforça o posicionamento da instituição como referência no ensino em contexto de saúde. O que realmente interessa, no final, é que o estagiário termine mais preparado, que a equipa se sinta respeitada no seu tempo e no seu esforço de orientação e que a instituição tenha a segurança de ter cumprido a sua missão de ensinar, cuidar e inovar.