Peça em destaque: Árvore de trépano

Serviço de Cirurgia, Coleção da Santa Casa da Misericórdia do Porto, em depósito no HSA

Instrumento executado pela firma francesa “Collin Gentile” na primeira metade do séc. XX, usado para trepanação.
A trepanação é uma intervenção cirúrgica que consiste em fazer uma perfuração regular num osso, em especial nos ossos cranianos, com um trépano, espécie de broca neurocirúrgica. Na medicina atual, o termo trepanação é usado principalmente para se referir a um ou mais orifícios no crânio com finalidades terapêuticas. Mas nem sempre foi assim.
No passado, a trepanação foi praticada com objetivos filosóficos, religiosos e místicos. Há evidências de que a trepanação tenha estado presente desde o período mesolítico e em quase todas as culturas antigas encontram-se cadáveres com sinais de trepanação. Esta operação foi uma das mais vulgares da grande cirurgia da antiguidade. A trepanação era um procedimento muitas vezes realizado com o objetivo de eliminar os maus espíritos e demónios do corpo do doente, bem longe da indicação terapêutica atual.
A trepanação craniana faz-se, principalmente, para descomprimir o tecido cerebral de modo a aliviar a pressão associada à presença de sangue ou outros líquidos. Vários procedimentos neurocirúrgicos podem ser realizados através de um orifício de trepanação, como ventriculostomia endoscópica, drenagem de hematomas subdurais, microcirurgias e extração de corpos estranhos.