Peça em destaque: Espéculo vaginal de Fergusson

Serviço de Ginecologia, Coleção da Santa Casa da Misericórdia do Porto, em depósito no Hospital de Santo António
 
Instrumento em porcelana executado entre 1895 e 1945, destinado a facilitar a observação da cavidade pélvica.
O espéculo vaginal foi introduzido na Ginecologia em 1801 por Joseph Claude Récamier (1774-1852). Apresentando-se sob a forma de um tubo com cerca de 10 cm de comprimento, foi utilizado inicialmente para observar e tratar úlceras do colo do útero.
O esforço de obtenção de uma melhor visualização no exame pélvico originou constantes alterações de formas e materiais aplicados na sua execução, como marfim, vidro, porcelana, madeira, goma elástica, borracha e metal. A variedade de espéculos que existiram nos séculos XIX e XX foi colossal, existindo às vezes apenas uma ligeira variação no lado do parafuso, na longitude da valva, no cabo, entre outros.
O espéculo de William Fergusson (1808-1877) é o mais conhecido desta classe de instrumentos. Inicialmente começou por ser executado em vidro. Com o intuito de se obter uma superfície espelhada na parede interna, que refletiria melhor a luz, a parede externa do tubo era coberta primeiramente com uma camada de folha de estanho polida, prata ou mercúrio, revestida com borracha da Índia e sobre a qual se espalhava uniformemente uma camada de verniz preto.
Presentemente o espéculo continua a ser essencial na prática ginecológica sendo os modelos atuais fundamentalmente variantes da tipologia “Cusco” e “Sims”, executados em plástico e descartáveis.