A Saúde em Portugal

A Saúde em Portugal


Idalina Beirão
Diretora do Departamento de Ensino e Formação

 

De acordo com o relatório sobre a saúde em Portugal de 2023, em 2022, a esperança de vida à nascença em Portugal era em média de 81,7 anos, sendo de 84,5 anos para a população feminina, 6 anos superior à média masculina. No total, Portugal verifica mais um ano de esperança média de vida, comparando com a média da União Europeia (UE).
Num contexto de envelhecimento da população e consequente aumento da prevalência de doenças crónicas, as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal, representando mais de 27 % de todas as mortes em 2020.
A população com idade igual ou superior a 65 anos correspondia a 16% em 2000 e a 22 % em 2021, ultrapassando ligeiramente a média da UE (21%), prevendo-se que até 2050 atinja os 34%. Apesar do aumento da esperança média de vida, 61% da população com idade superior a 65 anos, refere que vive com restrições de atividade relacionadas com problemas de saúde.
Algumas dessas restrições estão relacionadas com o aumento de casos de cancro. Embora a sua incidência no país seja ligeiramente inferior à da maioria dos outros países da UE, Portugal continua a verificar um número significativo de casos. Em 2022, foram registados 66.600 novos casos, sendo os de maior prevalência os cancros da próstata (21%), colorretal (17%) e do pulmão (12%), entre a população masculina e cancros da mama (31%), colorretal (14%) e da tiroide (7%) na população feminina.
Em 2023, o Governo começou a implementar uma Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro, no âmbito do Programa Horizonte 2030, com o objetivo de minimizar a incidência de novos casos potencialmente evitáveis, através da redução da exposição da população a agentes cancerígenos e da promoção de estilos de vida mais saudáveis.
Em 2019, 30% das mortes em Portugal foram atribuídas a fatores de risco comportamentais, como consumo de tabaco (12%), riscos alimentares (11%), consumo de álcool (6%) e baixa atividade física (3%). Este valor é inferior à média da UE, o que indica uma menor prevalência desses fatores de risco na população portuguesa. Fatores de risco ambientais, como poluição atmosférica e exposição a partículas finas (PM2.5) e ozono, também tiveram um impacto significativo, representando 2% do total de mortes.
Nos cinco anos que antecederam a pandemia COVID-19, Portugal assistiu a uma redução significativa na prevalência do tabagismo, com o número de consumidores diários entre adultos a diminuir dos 17% para 14%. No entanto, verificou-se um ligeiro aumento na utilização de cigarros eletrónicos entre os adolescentes.
Em relação ao consumo de álcool, o consumo anual per capita entre a população adulta portuguesa diminuiu de 11,3 litros em 2010, para 10,4 litros em 2019, ainda um pouco acima da média da UE. Embora uma pequena percentagem de adultos portugueses tenha relatado consumo regular e excessivo de álcool em 2019 (14,6%), essa prevalência aumentou 4,4 pontos percentuais desde 2014. Em contraste, apenas 8% dos jovens portugueses com 15 anos relataram terem-se embriagado pelo menos duas vezes ao longo da vida, uma percentagem muito abaixo da média da UE.
Outro dos fatores de risco comportamentais relevantes, e um problema crescente em Portugal, é a obesidade. Em 2019, 17% dos adultos estavam classificados como obesos. A prevalência é maior entre os cidadãos sem ensino secundário (22%), do que entre os com habilitações superiores (10%). Em 2022, 20% dos jovens com 15 anos eram considerados obesos ou com excesso de peso, uma diminuição em relação a 2021, mas ainda assim acima dos 17% de 2010.
A prevenção e a alteração de fatores de risco modificáveis como erros alimentares, hábitos tabágicos ou alcoólicos e o sedentarismo são essenciais para a melhoria da saúde em Portugal. Neste âmbito foi implementado o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, que introduziu medidas como: impostos sobre alimentos, restrições de publicidade e normas alimentares nas escolas. No seu seguimento estão a ser promovidas ações e projetos-piloto para a promoção da atividade física regular.
A promoção da literacia em saúde, com informação dirigida para a população em geral, e a aposta na prevenção da doença devem ser objetivos prioritários para um futuro mais saudável.