Situações excecionais que exigem adaptação comportamental imediata

Situações excecionais que exigem adaptação comportamental imediata


Paulo Lemos
Médico Anestesiologista
Diretor Clínica de Anestesiologia, Medicina Intensiva, Emergência e Urgência

 

As sociedades modernas estão, cada vez mais, sujeitas a riscos de ocorrência de fenómenos extremos que podem comprometer o suposto equilíbrio entre o ambiente social e natural. O conceito “All-Hazard” contrasta com abordagens que se concentram apenas num tipo específico de risco, implicando uma abordagem proativa e flexível para identificar, avaliar e mitigar perigos diversos, como eventos naturais (sismos, inundações), pandemias, ataques cibernéticos, terrorismo e outros incidentes que possam afetar uma organização ou comunidade. Assim, torna-se evidente que situações excecionais, em contexto compatível com catástrofe, de risco clínico ou não clínico, em plano de resposta a situações multivítimas, ou apenas por risco elétrico como o registado às 11:33 horas do passado dia 28 de Abril, podem pôr em causa o normal funcionamento das instituições, a ordem pública, ou tão somente a segurança dos cuidados que prestamos naquele momento aos nossos doentes.

Estas situações, exigem ponderação, calma, sangue frio, alerta para as consequências que as mesmas podem ter na nossa sobrevivência e na dos outros, com especial atenção naqueles que se encontram sob a nossa responsabilidade, perceção das instruções, e respeito pelas ordens e orientações emanadas pelas hierarquias intermédias ou a gestão de topo da Instituição.

Mas exigem sobretudo uma atitude, uma reação comportamental, que se espera flexível mas dinâmica, com adaptabilidade imediata à situação, racional e integrada com as restantes equipas,  portanto em rede, e de forma sequencial:

  1. AVALIANDO A SITUAÇÃO, sobre o seu impacto, os danos causados, diretos e indiretos, as consequências a curto, médio e longo prazo;
  2. ESTABELECENDO UM PLANO ESTRATÉGICO, DEFININDO PRIORIDADES, de forma a reagir minimizando, se possível, o impacto e os danos causados, mas sobretudo a evitar eventuais consequências, preparando-nos e aos demais para aquelas, no caso de serem inevitáveis;
  3. COMUNICANDO de forma clara e eficaz, evitando o pânico e mensagens contraditórias;
  4. ALERTANDO outros para a situação, sem alarmismos, procurando um efeito em cascata, a colaboração e entreajuda das equipas, com espírito de corpo num objetivo comum de minimizar os efeitos e se possível antecipar a resolução do problema;
  5. CRIANDO O MAIS POSSÍVEL UM CLIMA DE SEGURANÇA, para todos, perante a exposição à situação, qualquer que ela seja;
  6. MAS SEMPRE COM UM COMPORTAMENTO CÍVICO, TRANQUILO, COOPERATIVO, DIGNO DE EXEMPLO de forma a contagiar outros para uma atuação semelhante; naqueles profissionais em regime laboral por turnos, a disponibilidade para prolongamento da atividade laboral deve ser equacionada sempre que tal se torne imperioso, mas não sendo necessária, a sua saída do turno em questão, só pode ocorrer perante a substituição profissional fisicamente presente e com fardamento.

Entretanto, espera-se que todos e cada um de nós, procure familiarizar-se com medidas de autoproteção que resultam de procedimentos e ações que visam a gestão da segurança, e que abrangem medidas de prevenção, preparação e resposta, envolvendo todos os níveis de uma organização, familiarização com procedimentos de emergência, de risco clínico e não clínico (suporte básico de vida, risco de incêndio, riscos elétricos, inundações, ...), não só para aumentar a segurança pessoal, mas também e sobretudo para se tornar num cidadão mais útil e cooperativo na resposta efetiva a situações de carácter excecional.

Por fim, salientar que a resposta a situações extremas deve ser sempre realizada EM REDE com o objetivo de MITIGAR O RISCO, planejando e implementando estratégias para reduzir ou controlar riscos que possam afetar um projeto ou as operações de uma organização, na tentativa de minimizar a probabilidade de ocorrência e o impacto que possam ter. Em vez de tentar eliminar completamente o risco, a mitigação visa controlá-lo e minimizar os seus efeitos.