Fatores imunogenéticos e neuroinflamação em dois tipos de epilepsia: Epilepsia generalizada genética e epilepsia do lobo temporal mesial


João Chaves
Neurologista

 

Fatores imunogenéticos e neuroinflamação em dois tipos de epilepsia: Epilepsia generalizada genética e epilepsia do lobo temporal mesial

Qual o objetivo da tese de doutoramento que desenvolveu?

As epilepsias generalizadas genéticas (GGEs, do inglês genetic generalized epilepsies) são um grupo de síndromes epiléticas em que as crises generalizadas são o principal sintoma da doença. O objetivo desta tese foi estudar a influência dos fatores imunogéticos, moléculas inflamatórias e fatores epigenéticos nas GGEs e identificar possíveis biomarcadores. Também comparámos os nossos resultados com os dados relativos à epilepsia do lobo temporal mesial com esclerose do hipocampo (MTLE-HS, do inglês mesial temporal lobe epilepsy with hippocampal sclerosis).

Quais os principais resultados da investigação realizada?

Demonstrámos que o HLA-DRB1*09, o HLA-DRB1*13  e o genótipo ApoE e3/e2 podem ser fatores protetores nas GGEs. Vimos que o polimorfismo rs16944TT da IL-1ß não está correlacionado com o desenvolvimento de GGEs. Também identificámos o painel com miR-146a, miR-155 e miR-132 como possível biomarcador diagnóstico nas GGEs. Na MTLE-HS, vimos que a diminuição nos níveis circulantes de miR-22 foi tanto maior quanto maior o número de fármacos utilizados, sugerindo que o miR-22 pode ser um promissor biomarcador da refratariedade nesta condição. No estudo das comorbilidades das GGEs, observámos que as GGEs têm um relacionamento temporal bidirecional com as doenças autoimunes, enquanto a MTLE-HS tem uma relação temporal unidirecional com as mesmas.

Quais as principais conclusões do estudo?

Em conclusão, os fatores imunogenéticos e as moléculas inflamatórias têm diferentes contribuições nas GGEs e na MTLE-HS. Os doentes com GGEs modulam e controlam de forma mais eficiente a resposta inflamatória, devido à contribuição dos fatores imunogenéticos, que parecem ter um efeito protetor, e não têm fatores de predisposição das moléculas inflamatórias. Contrariamente, os doentes com MTLE-HS têm maior dificuldade em controlar a reposta inflamatória, pois têm fatores de predisposição para a manutenção da mesma.

Consulte a versão integral: https://hdl.handle.net/10216/155244


João Chaves, assistente hospitalar graduado em Neurologia na ULS de Santo António, dedica-se especialmente à epilepsia. É membro do centro de referência de epilepsias refratárias.  É responsável pela consulta de epilepsia na gravidez. Faz parte da Unidade Multidisciplinar de Investigação em Biomedicina do ICBAS-UP onde colabora em vários projetos de investigação em epilepsia. Doutorou-se em Ciências Médicas no ICBAS-UP em outubro de 2023 sob a orientação do Professor Doutor António Martins da Silva.