
Rui Claro
Ortopedista
Avaliação do tratamento cirúrgico das fraturas proximais do úmero numa população geriátrica
Qual o principal foco da investigação realizada?
As fraturas proximais do úmero (FPUs) são fraturas de fragilidade, comuns em doentes idosos, que ocorrem por mecanismos de trauma de baixa energia.
Atualmente, 67-85% das FPUs são tratadas de forma não cirúrgica. No entanto, fraturas complexas normalmente necessitam de tratamento cirúrgico.
Avaliamos doentes com 70 ou mais anos de idade, com FPU aguda e com desvio tratados cirurgicamente e identificamos a taxa de sobrevida do implante, a mortalidade, a morbilidade, as complicações associadas, as taxas de revisão, e os resultados funcionais e radiológicos. Também avaliamos o impacto de um desenho específico de uma artroplastia total invertida do ombro (ATIO) para fraturas em comparação com uma haste umeral de ATIO padrão na melhoria da função e na segurança do procedimento considerando diferentes métodos de fixação das tuberosidades.
Quais as principais conclusões do estudo?
Após a análise dos dados obtidos durante a investigação, é aconselhável priorizar o uso de uma ATIO com haste umeral específica para fraturas, com “janela” para integração óssea. Para além do exposto, quando viável, deve ser considerada a implementação de uma técnica de fixação robusta das tuberosidades. Esta abordagem combinada parece oferecer a melhor opção para mitigar o risco de não-consolidação, migração ou mesmo pseudartrose das tuberosidades, o que é particularmente relevante na faixa etária considerada.
A utilização de uma ATIO como tratamento primário de FPUs com desvio na população geriátrica permitiu o retorno às atividades da vida diária em 73,2% dos doentes e a aquisição de mobilidade funcional do ombro em quase metade dos doentes estudados (45,5%).
Consulte a versão integral: https://hdl.handle.net/10216/155974
Rui Claro é Consultor em Cirurgia Ortopédica.
É doutorado em Ciências Médicas com especialização em Patologia do Ombro.
Atualmente é o coordenador do Grupo do Ombro do Serviço de Ortopedia do Centro Hospitalar Universitário de Santo António. Além disso, contribui ativamente como membro do Comité de Registo da Sociedade Europeia de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SECEC-ESSSE) e do Centro de Ensino da SECEC-ESSSE (2021-2025).
Os seus principais interesses clínicos e de investigação incluem a cirurgia do ombro, artroplastia, artroscopia, ortobiologia, engenharia de tecidos e robótica.
Desempenhou funções de liderança como Presidente da Sociedade Portuguesa do Ombro e Cotovelo entre 2020 e 2022 e como Delegado Nacional da SECEC-ESSSE em 2022.




