
Nuno Miguel Peixoto
Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica
Comportamentos de Promoção de Saúde nos Sobreviventes de Cancro: Desenvolvimento de Uma Intervenção Educacional em Enfermagem
Qual foi o principal objetivo deste estudo?
A investigação teve como objetivo desenvolver uma intervenção educacional em Enfermagem para otimizar os comportamentos de saúde dos sobreviventes de cancro em Portugal, temática subexplorada nos estudos nacionais. Seguindo as recomendações do Medical Research Council, foram definidas quatro etapas. A primeira consistiu numa revisão de escopo, que permitiu inferir as características das intervenções de Enfermagem descritas na literatura, destacando a importância da educação em saúde na consciencialização e na motivação dos sobreviventes. Na segunda, um grupo de peritos realçou a necessidade de personalização da intervenção, destacando a promoção de comportamentos saudáveis, a prevenção de comportamentos de risco e a adaptação às necessidades individuais dos sobreviventes. Na terceira, os peritos chegaram ao consenso de que a intervenção deveria incluir oito sessões e permitir a participação de familiares. Os peritos definiram ainda múltiplos focos de atenção e intervenção de Enfermagem baseados na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®) relacionados com a mudança de comportamentos em saúde e com comportamentos de promoção de saúde. A quarta etapa resultou na estruturação de um protocolo para testar a viabilidade e aceitabilidade da intervenção, definindo amostras, critérios de elegibilidade e instrumentos de avaliação.
Quais os principais resultados do estudo?
Os resultados sublinharam a importância de uma abordagem educacional individualizada e baseada em modelos teóricos sólidos centrada na otimização dos comportamentos de saúde e demonstraram que esta intervenção pode melhorar significativamente a qualidade de vida e a longevidade dos sobreviventes de cancro ao promover comportamentos mais saudáveis. Além disso, o estudo fornece uma base robusta para investigação futura para testar, ajustar e implementar a intervenção, contribuindo para um acompanhamento contínuo mais eficaz e para a promoção da saúde dos sobreviventes.
Pode consultar a versão integral deste trabalho em https://hdl.handle.net/10216/157744
Nuno Miguel Peixoto é enfermeiro especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica no Serviço de Urgência da ULS Santo António desde 2015. Publicou vários artigos científicos em revistas nacionais e internacionais relacionados com a gestão da doença crónica (em particular no âmbito da gestão da doença oncológica) e com os processos de ensino-aprendizagem dos estudantes de Enfermagem. É assistente convidado na Escola Superior de Enfermagem do Porto desde 2016, prestando atividade letiva na Licenciatura em Enfermagem e no Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica nas áreas de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica e Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica. Possui pós-graduação em Supervisão Clínica em Enfermagem, Enfermagem Avançada e Gestão de Serviços de Enfermagem. Concluiu o doutoramento em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto em março de 2024.




