Adaptação dos sobreviventes de cancro: Desenvolvimento de uma intervenção educacional em Enfermagem focada no coping e na ansiedade


Tiago André Peixoto
Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica

Adaptação dos sobreviventes de cancro: Desenvolvimento de uma intervenção educacional em Enfermagem focada no coping e na ansiedade

 

Qual foi o principal objetivo deste estudo? 

A sobrevivência ao cancro tornou-se uma realidade cada vez mais comum, graças aos avanços na deteção precoce e eficácia dos tratamentos. No entanto, há uma lacuna significativa na oferta de programas assistenciais dirigidos aos sobreviventes, especialmente em Portugal, onde não existem intervenções fundamentadas e estruturadas. Esta investigação visa colmatar essa lacuna, desenvolvendo uma intervenção educacional em Enfermagem focada na promoção da adaptação dos sobreviventes de cancro.

Tendo por base as diretrizes do Medical Research Council para o desenvolvimento de intervenções complexas, a investigação desenrolou-se em quatro etapas. Inicialmente, uma revisão de escopo mapeou a evidência sobre estratégias e programas direcionados para a adaptação de pessoas adultas com cancro, revelando a necessidade de aprofundar a eficácia e custo-efetividade dessas intervenções. Posteriormente, um estudo exploratório qualitativo utilizou a técnica de grupo focal para identificar os elementos essenciais no desenvolvimento de uma intervenção educacional.
Numa terceira fase, foi utilizada a técnica Delphi com um painel de peritos para validar um conjunto de itens relativos a estrutura e conteúdo da intervenção. O consenso estabeleceu que a intervenção deveria incluir oito sessões, com possibilidade de participação de familiares e abordando quatro domínios: Adaptação, Coping, Emoção/Ansiedade e Recursos. Por fim, foi delineado o protocolo de um estudo piloto para testar a viabilidade e aceitabilidade da intervenção. 


Quais os principais resultados do estudo?

Os resultados destacaram-se pela sua relevância para a prática clínica, disponibilizando uma intervenção baseada em evidência que pode constituir um recurso valioso para os enfermeiros e abrindo novas perspetivas para a formulação de políticas de saúde mais robustas e direcionadas.

Pode consultar a versão integral deste trabalho em
 https://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/157737n
 


Tiago André Peixoto é enfermeiro especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica no Serviço de Cuidados Intensivos da ULS Santo António desde 2015. Desde 2016, é também assistente convidado na Escola Superior de Enfermagem do Porto, onde leciona nos cursos de Licenciatura em Enfermagem, Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica, e Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica.
Possui três pós-graduações, uma em Enfermagem Avançada, outra em Supervisão Clínica em Enfermagem e outra em Gestão de Serviços de Enfermagem. Além disso, é Mestre em Enfermagem Médico-Cirúrgica e Doutor em Ciências de Enfermagem pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

Ao longo da sua carreira, publicou diversos artigos científicos em revistas nacionais e internacionais, abordando temas relacionados com a gestão da doença crónica (com especial ênfase na gestão da doença oncológica) e com os processos de ensino-aprendizagem dos estudantes de Enfermagem.