
Emídio Vale Fernandes
Médico do Serviço de Ginecologia/Obstetrícia
Especialista em Reprodução Humana da ULSSA revela avanços na compreensão da síndrome do ovário poliquístico com a defesa da sua Tese de Doutoramento em Ciências Médicas
A Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP) é uma condição endócrina comum em mulheres em idade reprodutiva, que afeta significativamente a fertilidade e os resultados dos tratamentos de procriação medicamente assistida (PMA). Este trabalho de investigação procurou esclarecer o papel da Hormona Anti-Mülleriana (AMH) como biomarcador de desfechos reprodutivos em mulheres com SOP submetidas a procedimentos de fertilização in vitro (FIV) e inseminação intrauterina (IUI). Estudos retrospectivos e prospectivos revelaram que níveis elevados de AMH, apesar de indicarem maior reserva ovárica, podem estar associados a resultados reprodutivos insatisfatórios. Além disso, a análise do líquido folicular (LF) mostrou que mulheres com SOP apresentam maior stresse oxidativo (OS) e desequilíbrios hormonais, como aumento de androgénios e redução da capacidade antioxidante total (TAC). Essas alterações indicam uma disfunção no metabolismo das células da granulosa, sobretudo na atividade glicolítica e mitocondrial, que podem prejudicar a qualidade dos óvulos e a resposta aos tratamentos de fertilidade. Os resultados sugerem que a combinação de perfis hormonais e metabólicos no LF pode auxiliar na avaliação prognóstica e no aprimoramento das estratégias clínicas. O entendimento dessas interações complexas é fundamental para desenvolver protocolos mais eficazes, visando melhorar os desfechos reprodutivos de mulheres com SOP. São necessários novos estudos para clarificar os mecanismos fisiopatológicos presentes nesta condição clínica.
O Prof. Doutor Emídio Vale Fernandes é Professor Auxiliar Convidado do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto, Investigador da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) e Assistente Graduado de Ginecologia/Obstetrícia do Centro Materno-Infantil do Norte Dr. Albino Aroso (CMIN), Centro Hospitalar Universitário de Santo António (CHUdSA), Unidade Local de Saúde de Santo António (ULSSA), onde desenvolve a sua atividade clínica e assistencial na Unidade de Procriação Medicamente Assistida e Banco de Gâmetas. É médico subespecialista em Medicina da Reprodução e defendeu a sua Tese de Doutoramento em Ciências Médicas “Translational Insights on Anti-Müllerian Hormone and Polycystic Ovary Syndrome from an Assisted Reproduction Perspective”, no ICBAS, no passado dia 23 de julho de 2025.




